O Brasil é um país com uma enorme diversidade cultural. E mesmo com a grande quantidade de preconceitos, as crenças e as tradições populares continuam vivas. Dividimos o espaço com a Umbanda, o Candomblé, o Catolicismo, o Judaísmo, e muitas outras religiões que colorem a nossa bandeira. Mas e o que fazemos com as simpatias, lendas e mitos do nosso povo? Será que isso não faz parte da crença do nosso povo, tanto quanto as religiões?
Porque aí entra uma questão complicada, que seria a definição de uma religião. Não se pode dizer que para ser religião é necessário um grande número de praticantes, porque o Rastafári é algo pouco conhecido mas não deixa de ser considerado como religião. Também não podemos dizer que uma religião precisa de um guia e/ou um livro sagrado, já que na Umbanda e no Candomblé não tem nada disso. O que define a prática de uma crença como religião?
No filme “Estamira” eu ouvi uma frase maravilhosa que diz: “Tudo que é imaginário, tem, existe, é”. E é interessante pensar por esse lado: Será que todo imaginário popular tem um fundo de verdade? Sim, porque seria muita arrogância dizer que lobisomens, sacis e curupiras não existem, só pelo fato de não termos visto. Porque também não vimos Deus, não vimos Oxalá, nem Durga, nem qualquer outra entidade existente nas religiões. E mesmo assim o povo acredita em tudo isso, e faz suas oferendas, promessas, rezas, da mesma forma que uma senhora que acredita em saci faz as suas simpatias. Ser chamado de imaginário popular, e não de religião, desmerece de alguma forma certas crenças?
"Americanos representam grande parte da alegria existente neste mundo".
Certa vez Caetano disse que “Americanos representam grande parte da alegria existente neste mundo”. Talvez seja verdade, talvez os americanos tenham chegado em um ponto tão alto de poder, que representam toda, ou grande parte, da alegria mundial.
No cotidiano vemos muitos imitando o estilo de vida norte americano. Isso se tornou algo tão marcante que às vezes fico um pouco espantado. Não me coloco aqui na posição de analisar o que é bom ou ruim. Mas quem pode dizer que conhece mesmo a cultura brasileira? Sim, porque sempre que vamos às festas, ouvimos na maior parte do tempo músicas americanas, junto de gente que fala inglês sem nem falar português direito. É claro que é um gosto generalizado esse apresentado, mas é sobre ele que quero falar. Afinal, quantas pessoas lêem livros nacionais e quantas preferem os que vêm do lado de lá da América?
É realmente muito fácil dizer ter asco à cultura brasileira quando todos os setores ajudam para a formação desse pensamento. Vivemos cercados de reality shows que se tornam assunto nacional. Só encontramos livros bons, bonitos e baratos, quando são de lá. Os filmes que vamos ver nos cinemas são quase sempre americanos, já que o cinema nacional não tem público e nem incentivo. Quem vai pro norte do país quando ir a Miami é mais barato?
Vamos pensar um pouco: Quem gosta mesmo de Baião? E Lady Gaga quantos gostam? Quem já leu Caio Fernando Abreu e quem já leu Crepúsculo? Quantos comem vatapá e quantos preferem uma comidinha na Starbucks? De maneira alguma eu quero levantar a bandeira do patriotismo. Mas será que se em todos os países o incentivo à cultura nacional fosse maior, os americanos ainda representariam grande parte da alegria existente neste mundo?
Não acho que ninguém é obrigado a gostar de nada, mas se nos interessássemos pela nossa cultua da mesma forma que nos interessamos pela norte americana, talvez as coisas corressem melhor por aqui...E quem sabe um dia, os brasileiros representem grande parte da alegria existente no Brasil?
segunda-feira, 8 de março de 2010
LEO E O SUPER-HOMEM
Georgina Martins
Quando cheguei ao cemitério percebi que ela suspirou aliviada. De certo pensava que eu não iria e inventara várias desculpas para explicar minha ausência. Lívia e Alex estavam lá desde cedo. Como eu não me aproximava do corpo, mamãe me pegou pela mão e me levou até ele: “O Leo sempre foi assim, não gosta de cemitérios...”Desconcertada, tentava transformar minha indiferença em medo da morte; entretanto, sabia que eu não estava triste.
O cheiro forte das flores, que cobriam o corpo de papai, me embrulharam o estômago e tive de sair duas vezes para vomitar. Mamãe aproveitou para dizer a todo mundo o quanto eu estava chocado com a morte dele: “O Leo sempre foi muito ligado ao pai, acho que é por isso que os dois brigavam tanto.”
O excesso de calor e as pessoas se amontoando me deixaram agoniado. Avisei à mamãe que ia sair para fumar. Sem graça, ela se justificava dizendo que eu estava muito pálido, que precisava de ar fresco e de um pouco de sal embaixo da língua. Com um lenço simulou enxugar as lágrimas que desejava ver saírem dos meus olhos. Do lado de fora, Lívia e Alex conversavam com dois amigos de papai. Para evitar manifestações de pêsames, dei um jeito de não ser visto por eles. Eu queria que aquilo tudo acabasse logo.
O corpo inerte de papai, enfeitado com aquelas flores amarelas, me fez lembrar de minhas brincadeiras de infância com as bonecas de Lívia. Na verdade, as lembranças começaram a surgir quando ele ainda estava no hospital, imóvel naquela cama metálica e fria. Suponho que a imobilidade dele nutria as minhas lembranças. Mamãe havia me orientado a suspender a cama quando ele acordasse: “É para que seu pai possa sentir-se um pouco melhor, deitado assim, fica parecendo mais doente.”Nem precisei levantar a cama, pois durante o tempo em que fiquei no quarto ele não acordou.
Quando sai do hospital, ainda estava vivo, mas sem a força daquele homem que tantas vezes me fizera tremer de pavor. Nunca percebi em seu olhar outro sentimento que não fosse de decepção, de raiva, e, muitas vezes, de nojo. Acho que ele me odiava.
Minha mãe dizia que não: “Seu pai só quer o seu bem, Leo, mas você não ajuda. Parece que gosta de brigar com ele.”Com Alex e com Lívia meu pai nunca brigava. Alex podia qualquer coisa e Lívia era a princesinha da casa. Era assim que ele a chamava.
Não me lembro muito bem em que Natal Lívia ganhou aquela boneca; faz muito tempo, mas da caixa grande, do papel de presente, dos cabelos compridos e da roupa colorida da boneca, não consigo esquecer. Para mim papai comprou um carrinho de controle remoto, que não lembro nem da cor, e pro Alex uma bola de couro.
Lívia não gostava de me emprestar suas bonecas e mamãe, por sua vez, fazia questão de dizer a mesma coisa todas as vezes que íamos a uma loja de brinquedos: “Já disse que meninos não brincam com bonecas. Você pode escolher o carrinho que quiser. Veja só este aqui, não é bonito? Igualzinho ao do Rafa”. Eu não queria nenhum, achava todos sem graça, inclusive o Rafa, que só sabia brincar de futebol e de guerra. E depois, fazer o que com mais um carrinho?
Quando brincávamos de casinha, Lívia deixava que eu fosse a mãe, mas só às vezes, porque ela queria ser sempre a mãe, mas eu não gostava de ser o pai. Mamãe nunca entendeu, mas pelo menos não me batia, só avisava: “Leonardo, já falei que vocês não podem aborrecer seu pai, o médico disse que ele não pode ficar nervoso”. Nessas horas, eu virava Leonardo, Leo era só quando estava tudo bem, quando meu pai estava calmo.
Alex, de vez em quando, também brincava com as bonecas de Lívia, mas papai não brigava. Alex gostava de jogar bola. Todos os domingos acordavam cedo e iam para o futebol: ele e papai. Voltavam na hora do almoço, suados e felizes. Eu tinha inveja e nojo. Alex adorava futebol e papai adorava o Alex.
“Você sabe muito bem que a culpa de seu pai ser assim com você é toda sua, Leo. Cansei de repetir sempre a mesma coisa: Menino pára de falar fino! Anda igual homem! Não balança as mãos assim! Toma Jeito de gente! Meu filho, você já está com 10 anos, não é mais nenhum bebê.”, mamãe falava isso todo dia, mas eu não podia segurar minhas mãos, tampouco sabia falar ou andar de outro jeito. Na verdade, eu não queria ser de outro jeito, gostava de ver minhas mãos dançando no ar enquanto falava, e de andar com leveza, como se flutuasse ou desfilasse em uma imensa passarela. Gosto até hoje.
“Meu filho, por favor, você precisa mudar esse seu jeito; é por causa dele que os meninos riem de você na escola. Sua professora já conversou comigo sobre isso, ela diz que você não colabora; que provoca os meninos com esse seu modo de andar e de falar. Depois que eles implicam você fica chorando. Ah, meu filho, desse jeito você vai sofrer muito na vida. Falo isso porque não quero que você sofra.”
Eu odiava aquela escola: “O Leo é veado, olha como ele fala, olha como ele anda. Veadinho, vem cá, vem...”, era assim que o Victor falava. Eu o achava o mais odioso de todos os meninos. “O Leo não tem pintoooooooooo! , ele é mulherzinhaaaaaaaaaaa!”.
Um dia Victor propôs aos meninos que tirassem o meu short. “Vocês vão ver só como ele não tem pinto”. Meu pai chegou na hora para me buscar. Apanhei tanto, que mamãe teve de colocar compressas de gelo nas manchas roxas.
Agora, eram as mãos de papai que estavam roxas; a enfermeira falou da dificuldade em pegar a veia dele. Não fiquei muito no hospital, só mesmo o tempo de mamãe ir em casa e voltar. Não gosto de ver sangue, e depois papai estava inconsciente, nem havia se dado conta da minha presença.
Quando o Alex brincava com a gente, ele era sempre o médico e Lívia insistia para que eu fosse o pai: “Tá bom, tá bom, vou ser o pai, mas vou ficar em casa com as bonecas, tá? Você vai ser a mãe que trabalha fora. (— Doutor, o que é que a minha filhinha tem? Vamos, filhinha, a mamãe já vai chegar, não chora!).”
Em uma dessas brincadeiras papai entrou no quarto sem que percebêssemos; eu estava fazendo um vestido para Diana, um vestido de baile. Ela teria ficado linda se ele não tivesse rasgado tudo. Até os cabelos dela meu pai arrancou. Lívia chorou muito. Eu só chorei quando ele me esbofeteou: “Seu filho da puta, você quer virar veado? Você é homem, ouviu? É homem! Eu já disse isso mil vezes pra você: Você é homem! Você é homem! Entendeu, Leonardo? Homem, homem! Nunca mais quero ver você brincando com bonecas, ouviu bem?” Papai estava transtornado, pensei que fosse me matar. Mamãe, assustada, tentava me proteger: “Pára, Sílvio, você não está vendo que a Diana é a namorada do Leo? Ele gosta de brincar de namorar as bonecas de Lívia, não é meu filho? É por isso que ele brinca com elas.”
Papai olhou espantado, até eu fiquei surpreso com a desculpa que minha mãe acabara de inventar. Ele saiu do quarto vermelho de raiva.
Naquele tempo eu tinha muitos pesadelos. Sonhava sempre com um monstro que queria nos devorar, a mim e a Diana. Depois sonhava com homens que se transformavam em monstros. Uns homens enormes, muito maiores que meu pai, e eu acordava suado.
— Compra carrinhos pra esse menino, Ester, chega de livros, tem muitos livros nessa casa. Esse menino lê demais, e isso faz até mal. É por isso que ele é assim. Depois não adianta chorar sobre o leite derramado. Seu filho vai virar veado!
Papai falava isso sempre, por isso fiquei surpreso no dia em que ele entrou em casa com aqueles três pacotes. Eram presentes, e todos para mim. Bonecos: um Batmam, um Homem-Aranha e um Super-Homem
— Tome Leo, é seu, pode brincar com eles à vontade, você não gosta tanto de brincar com bonecas? Então, agora têm bonecos que são próprios para meninos brincarem. O moço da loja me disse que os filhos dele adoram esses bonecos. Você não acha que eles são bonitos? Você vai emprestá-los pro Alex, Leo?
Papai falava sem parar, mas de um jeito carinhoso como ele nunca havia falado comigo antes.
Ansioso, entregou-me os bonecos como quem receitava um poderoso remédio capaz de curar o que ele julgava ser uma moléstia grave e contagiosa. Era mais uma de suas inúmeras tentativas de me transformar em homem. No homem que ele desejava que eu fosse.
Na primeira semana brinquei com todos os bonecos, Alex também. Depois dei o Homem Aranha e o Batmam para ele, menos meu Super-Homem, o boneco mais forte de todos, mais do que o Alex, mais do que os monstros do meu sonho e muito mais do que papai.
Meu super-homem tinha uma capa vermelha e podia voar. Com ele eu viajava para os lugares mais bonitos, bem longe daquela casa, bem longe de meu pai. Diana foi esquecida, largada em um canto, sem roupas e sem cabelos. Papai, feliz, me deixou em paz. Convencera-se de que havia finalmente me transformado em um macho. Nunca mais me bateu.
Antes que fechassem o caixão, olhei pela última vez o corpo daquele homem coberto por flores amarelas. Ali, imóvel, tive a certeza de que, ainda que eu brincasse com todas as bonecas do mundo, ele nunca mais poderia me bater.
Agora era eu quem suspirava aliviado, havia chegado ao fim o nosso tormento: o meu e o dele. Só me arrependo de não ter tido tempo e coragem para lhe contar que o seu antídoto se convertera em veneno: o boneco que aquietara o atormentado coração de meu pai havia se transformado no meu primeiro namorado, e que depois dele vieram outros e fora os que ainda virão. Queria ter contado também que o meu super-homem mora comigo até hoje.
sábado, 30 de janeiro de 2010
Hoje é dia de sopa
Já tentei muitas vezes encontrar um núcleo de pessoas que fossem como eu e pensassem como eu penso, quando olho pra alguém que mora na rua. É que eu acho que já cansei de ouvir aquele discurso estranho dizendo: Vamos ajudar esses que moram na rua, mas estamos nos ajudando acima de tudo, elevando nossos espíritos. Acho que isso parece uma falsa caridade, parece que vamos ajudar pra garantir nosso cantinho no céu. Lembra muito o discurso de Voltaire que dizia que era necessário existir pobres para que os ricos chegassem aos céus. Por não concordar com esses discursos que passei um bom tempo sem ajudar os outros, e isso me doía muito. Encontrar “a turma do sopão” foi algo muito engraçado já que conheci através da minha querida irmãzinha de mentira. E quando fui à primeira vez não ouvi aquele discurso oportunista, nem na segunda vez, e nem na terceira. Depois de perceber que aquilo ali era realmente um sentimento em conjunto de querer ajudar e fazer o bem, eu passei a fazer parte do grupo e sempre encaixo mais alguém. Minha mãe me contou hoje que enquanto ela dava umas moedinhas pra um menino de rua, sua amiga disse: Ah, hoje eu já não tenho mais culpa. Mas culpa de que? Sabe não faço essas coisas por culpa, não tenho dívida com ninguém, faço porque quero, porque acho que ainda posso viver em um mundo melhor, ou então dar um mundo melhor aos meus filhos. Porque não é minha culpa se tem gente na rua, é culpa da sociedade aonde eu vivo, e pelo menos eu, não consigo ver isso sem fazer nada. Portanto eu acabo tomando parte da culpa sim, e me orgulho disso. Hoje, no sopão, vimos outro grupo próximo a nós de uniforme, e parecia que eles fariam as mesmas coisas que nós. Só que do nada eles começaram uma espécie de culto evangélico e ficou parecendo que só ganhava comida quem ficasse pro final. Não acho que seja justo se valer da fragilidade e da dependência daquelas pessoas para se pregar algum conceito. Acho que é mais uma das atitudes oportunistas dessa vida. Sou um “pouco da umbanda”, mas não dou sopa na rua porque a umbanda diz pra eu fazer isso. Acho que faz um bem enorme pra mim saber que estou ajudando, mas também não faço por mim. Faço simplesmente porque acho bom, bonito, porque tem gente que precisa daquilo como eu preciso de tudo que tenho. Ninguém vai tirar de mim a sensação boa que sinto no coração quando escuto um “muito obrigado”, não existe alegria maior que ver aquelas crianças sorrindo quando ganham um pão, um brinquedo. Não é culpa...é só porque tem de ser assim.
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Deixa ela entrar
Me disseram que o filme era de terror, aí fiquei com aquele medo que muitos tem de filme de terror; não o medo de fechar os olhos e chamar por "mamãe", mas aquele medo do tipo: Ihhh lá vem merda. Bom...me enganaram, o filme não é de terror, é um romance absurdamente bom. Escandalosamente, assustadoramente, brutalmente bom. Não vejo um filme de vampiro tão bom desde "Drácula de BramStoker". Não é aquela baboseira de "Crepúsculo" aonde o vampiro parece mais um artigo da Tiffany´s de tanto que brilha. Mas é um filme doce, bem dirigido, bem ambientado, bem atuado. Uma menininhavampira se apaixona por um menininho comum na Suécia. E a vampira é tudo que o menino sempre quis ser, alguém que precisa de sangue, que consegue matar com facilidade. Já o menino é tudo que a menina sempre quis ser...gente. O filme vai se desenrolando a partir do menino, que faz o clássico papel de garoto excluído, e da vampirinha camarada, que mora com um amigo adulto que mata as pessoas pra ela conseguir se alimentar. As lendas nesse filme são mantidas e não são porcamente desconstruídas como aquele livrinho do vampiro-diamante. A pequena vampira tem sentimentos lindos e se segura ao máximo pra não machucar o menininho, já o menino, parece não se incomodar nem um pouco com o fato dela ser vampira...ele só precisa ter ela por perto, só isso. O filme conseguiu aquilo que pensei ser impossível: Fez com que o sangue, ali, não desse medo e nem fosse algo absurdo, mas sim parte da gente, ficou até bonito. O sangue teve uma beleza muito especial no filme, assim como aquela cena clássica de "Drácula de BramStoker" quando o sangue jorra pra dentro da igreja parecendo uma onda. A menina conseguiu ganhar meu coração, acho que adotava ela e matava as pessoas pra ela viver feliz. Acho que é por isso que a deixei entrar.
Hanami: Cerejeiras em flor
Acho que nunca vi um filme tão bonito. Nem mesmo "Partidas" consegue ser tão belamente poético como essa obra prima. Estava louco pra ver o filme que minha mãe cismava em chamar de: Muito além das cerejeiras em flor...uma junção de "Muito além do Jardim" com "Cerejeiras em flor". Confesso que tenho uma cisma muito grande com filmes de temática oriental, algo me incomoda em filmes assim. Acho que é porque eu não sou muito fã de orientais. Pode ser preconceito, mas não consigo ver muita beleza nas tradições que vem do outro lado do globo. Mas em momento algum o filme teve a pretensão de "impor" a cultura oriental, só fez questão de mostrar o amor de uma mulher por um país que ela nunca viu. É incrível como o filme mostra o que a morte pode fazer com uma pessoa. O homem que era muito amargurado, após a morte de sua mulher, se torna tão delicado quanto a dança que sua mulher fazia, a conhecida butô. Sabendo que o sonho de sua mulher era conhecer o Japão, e que seu sonho era ver o Fuji, o homem parte para o Japão após a morte de sua mulher para mostrar a ela tudo que ela sempre quis ver. E nossa...se eu não estivesse tão gripado eu juro que choraria do começo ao fim. Porque é muito difícil ver pessoas como aquelas atuando em cenários belíssimos sem chorar. No Japão o homem encontra uma jovem dançarina que mora em um parque. E essa dançarina dá a ele toda a atenção e respeito que seus filhos se recusam a dar. Assim, a jornada que era de uma pessoa só passa a ter duas. E é nesse momento que você vê todo o amor, carinho e paixão que o homem tinha por sua mulher e que passou a ter por seus filhos, que mesmo assim, não gostam dele. Hanami é o conhecido festival da cerejeiras no Japão, que só dura quinze dias, que é quando as cerejeiras florescem. É um evento raro e muito curto, assim como toda paixão daquele homem.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
A princesa e o sapo
Acordei hoje, segunda feira, e já recebo o convite de supetão: Vamos ver " Vamos ver 'A princesa e o sapo'?. Eu não tinha muita coisa para fazer hoje e acabei aceitando, mesmo correndo o risco de sair chorando de ódio da sala de cinema. Fui com João, que apesar de algumas preferências ele entende um pouco de cinema. Não me preocupei muito com os mantimentos na hora do filme, afinal, tinha acabado de almoçar. Só comi um bombom e tomei uma garrafa de água inteirinha. E apesar dos trailers: Xuxa, Avatar e O fada dos dentes, o filme conseguiu manter aquela linha clássica de contos de fadas, que só a Disney sabe fazer. É um história engraçadinha e com personagens engraçadinhos que conseguem tirar de você algumas risadas. Principalmente quando a louca da Charlotte entra em cena, não tem como não rir com o ânimo daquela menina que sonha em encontrar seu príncipe e seu final feliz. Fora a Charlotte, temos um crocodilo que toca Jazz e um vaga lume apaixonado por uma estrela. Não tem como ser um filme sem graça, não mesmo. Sempre achei meio nojenta essa história de princesa beijar sapos e até que acabei gostando da solução inteligente que eles deram para a história. Uma menina que não é uma princesa, se beija um sapo, vira sapa também oras, nada mais lógico. Afinal só princesas tem o poder de transformar os sapos em príncipes. A princesa é linda e o príncipe também, diga-se de passagem. E o melhor de tudo é que o príncipe existe desde o início do filme, não é como aqueles príncipes antigos que aparecem nas histórias como se tivessem caído de para quedas por ali, e aproveitaram para fazer uma visitinha a uma princesa solitária. As músicas não me deixaram tão animados como as músicas de "A pequena sereia", mas quem sabe quando eu assistir em inglês acabe gostando? Apesar das músicas e dos adolescentes inquietos e desrespeitosos atrás de mim, o filme correu super bem, sem fazer grandes tropeços. Talvez tenha tropeçado ali pelo fim, na escolha do final, só que nada muito significativo. É importante avisar a vocês uma coisinha: Comecem a contar os dias para que algum pastor apareça dizendo coisas absurdas do filme e de suas mensagens subliminares, como eles adoram fazer. Acho que eles não tem muita coisa na vida para fazer além de roubar dinheiro dos outros e acabam achando bacana atacar produções de qualidade, quando eles não produzem nada...Pois é, dá pena. Mas o que eles dirão será: É um absurdo uma mulher que faz Vodu executar uma cerimônia de casamento, e ainda vão atacar a pobre Charlotte de pedofilia por insinuar que esperaria o pequeno príncipe de seis anos crescer, para se casar com ele. Podem apostar, os pastores vem aí. No fim acabei achando estranho, muito estranho, já que saí do filme pensando se para encontrar o meu príncipe encantado eu preciso beijar alguns sapos...Talvez, quem sabe?